Capitulo 13 – DIA DAS BRUXAS.
Capitulo 13 – DIA DAS BRUXAS.
Terça-Feira.
Aaron abre os olhos e vem aquela dor de cabeça. Simplesmente coisas demais para pensar. Ele automaticamente levanta e escova os dentes, bons vampiros tem os dentes limpos e brilhantes. Não houve repulsa por pensar isso, pelo visto, estava de acostumando com a idéia.
Já não tem forças para ficar cansado, com medo ou qualquer coisa. Só estava tentando pensar no que aconteceu ontem, eram coisas esquisitas demais, estava muito no escuro, muito perdido, sozinho.
Sentia-se abandonado e sozinho. Não podia ou conseguia compartilhar essa verdade com nenhum conhecido, quem iria entender ou aceitar? Fez o seu papel de estudante aplicado, levando o “café-da-manhã” para o quarto, para ganhar tempo. A família entendeu que precisava de um tempo sozinho e respeitou apesar das insistências de Wilber para saber o que realmente houve no seu encontro com Robin.
Aquilo estava ficando demais.
Felizmente o seu cotidiano estava, mesmo contra seu humor, ficando comum demais novamente, como se ninguém ligasse para o fato da Robin ter sumido, ninguém notou o fim de semana? Na escola?
Uma sensação correu pela sua espinha. Como se fosse um alerta de perigo, de repente, sua mente parecia incrivelmente clara e alerta, como se fosse ser atacado. Instintivamente foi ate a porta, escancarou-a sem perguntar e viu o carteiro chegando à frente da sua casa. Olhou direito e viu que não era o Raul.
“Bom-dia jovem.” – Respondeu o simpático oriental.
“Olá, mas o que houve com o Raul?” – Sentiu que devia ficar em guarda imediatamente.
“Parece que ele teve um acidente domestico ontem, fraturou a bacia ou algo assim.” – Começou a procurar uma encomenda na bolsa. “Então sou o substituto do momento, mas sou de outra área. Qual é mesmo o sobrenome do dono da residência?”
“É Heights. Se escreve Hei, depois G, depois H, acaba com T.” – Ainda apreensivo.
“Sim. Eis uma encomenda, ainda estou me acostumando com os moradores, desculpe qualquer confusão, pode assinar aqui jovem? Eu tenho caneta.”
Seu sorriso sincero e atenção eram justos, parecia bobagem ficar desconfiado por um simples carteiro, parecia tão idiota e paranóico, carteiros não caçam vampiros. O oriental segurou a prancheta e Aaron começou a preencher os dados.
“Como você não é o senhor Heights, precisa preencher tudo, essa encomenda exige resposta de entrega. Pode colocar os dados aqui, por favor?” – Aaron não discutiu a começou a escrever a burocracia. Ele não viu duas coisas.
Uma, o carteiro estava mexendo nas costas, ele tinha uma faça gótica com lamina curvada e trabalhada, com um gume preto e o outro lindamente prateado. Tinha a intenção de cortar a cabeça de Aaron fora do corpo, e seria com um golpe só.
Duas, a atenção dos dois foi atraída por um barulho muito grande. Como ambos olharam um para o outro, não notaram que aos seus pés, haviam ao menos, duas dúzias de gatos adultos, todos miaram ao mesmo tempo.
O oriental largou a faca e voltou ao seu papel de carteiro.
Aaron ficou olhando para aquilo e terminando de escrever na prancheta.
“Mas que droga é essa?”
“Deve ter algum peixe muito saboroso para o almoço, estou certo?”
“Há, na verdade não, apenas carne de porco. Acabei, mais alguma coisa senhor?”
“Oh não, absolutamente, tenha um bom-dia e os correios agradecem.”
“Claro, bom-dia.”
Aaron viu o funcionário ir embora normalmente, ele deu uma ou duas olhadas para trás, tão surpreso quando ele aquela quantidade de gatos. Alguém estourou uma bomba de atum por acaso? Eram uns vinte felinos, de todas as cores possíveis.
“Há, vocês querem o que, pessoal?” – Estava ficando mesmo doido, conversando com gatos vagabundos como se fossem amigos, embora, estranhamente estivesse sentido isso.
Entra em casa, mas não sem notar que se fosse um pouco mais lento, os bichos teriam entrado com ele. Dois minutos depois de deixar a encomenda do pai na cozinha, voltou e viu que os gatos estavam em grupo na porta de entrada. Um vizinho passou e ficou curioso, olhando.
A hora passava rápido, ele foi ao quarto pegar sua mochila, óculos de sol, viu se sua carne fresca e bem temperada estava escondida, para comer mais tarde, estava aprendendo a controlar a fome. Como não estava com cabeça para passar por gatos, que outros resolvessem isso. Saiu pelos fundos depois de beijar a mãe. Isso tinha se tornado um teste, ela tinha uma pele macia e fresca, e um cheiro de rosas e perfume de vidro, começa assim e ia sempre para o sangue. Fresco e tentador. Seguiu adiante afastando esses pensamentos da cabeça.
Deu a volta para evitar a frente de casa. Logo estava em marcha para a escola, andar parecia um bom exercício e ouvir bandas de rock pesado, uma boa distração. Não percebeu que logo depois, tinha um bando de gatos seguindo ele.
Isso foi até o colégio.
Mesmas coisas novamente! Insetos e pássaros com manifestações para-normal. As pessoas com cifres, orelhas, caudas e toda sorte de visual aberrante e estranho. Sua cabeça tentava assimilar isso tudo, não chegando a lugar algum.
“Ei Aaron, tudo bom? Você tomou um banho de peixe por acaso?” – Tonny tinha agora, alem de comentários idiotas, uma cauda idiota. O que podia ser pior!
“Claro. Eu comprei o meu desodorante de peixe podre, não ta vendo? Porque a pergunta?”
“Olhe para trás.”
Como ele pode descrever? Deveria ter uns 50 gatos de todos os tamanhos mesmo. Seguindo ele quase em fila organizada. Aquela massa compacta, olhava disciplinada e firme para ele, como se ele fosse um líder ou algo assim.
Mais uma coisa para pensar.
“E então. Me diz qual é o perfume, eu vou ficar bem longe.”
Olhando totalmente, Aaron passou a correr para a escola. A multidão de gatos foi atrás, mas pararam perto da entrada. Todo mundo debatia sobre o fato, alguns iam a um bicho e fazia um carinho, mas Aaron se preocupou em entrar na sala, antes que algo mais ocorresse.
Os funcionários do colégio tiveram um trabalhão para liberar a entrada, ninguém queria machucar os bichanos, foi ate engraçado, eles tiravam um monte nos braços, estranhamente mansos. Eram largados fora da propriedade e voltam correndo. Aaron ficou sabendo depois e cômica situação, porque na sua carteira, não tinha nada de cômico.
“Olha, a gente tentou ta! Mas eles voltam sempre.” – Foi Joane que deu esse bom dia esquisito. Quando olhou sua carteira, entendeu o problema. Gatos! Tinham sete gatinhos na sua mesa.
“Ai meu saco. To vendo que vai ser um longo, mas longo dia.” – Batendo na testa.
Rob chegou em seguida, ele tinha dois gatos desde filhotes, mas nunca viu aquilo.
“Mas gatos são independentes e não são organizados e esse ponto, você ta fazendo algum trafico de erva de gato das boas, por acaso?” – Todo mundo suprimiu uma risada.
Mas não era engraçado. A professora Mel chegou e ficou maluca.
“Mas o que é isso? Alguém pode tirar esses filhotes, aqui é uma escola, não uma loja de animais.” – Mel era a professora de Inglês, muito bonita e simpática, mas alérgica a gatos.
“A gente já tentou duas vezes professora, mas eles correm da gente e voltam. E sempre para a mesa do Aaron.” – Seu olhar inquisidor se voltou para ele. “Por acaso o senhor está vendendo gatos, rapaz? Faça isso fora do horário da escola.”
“Mas eu nunca vi esses gatos na minha vida!”
“Então porque eles voltam para sua mesa?”
“Não faço a menor idéia, professora” – Deu de ombros e se sentou em outro lugar.
“Alguém tem que se livrar desses bichos! Agora!”
Vinte minutos depois, o vai e vem de gatos recomeçou. Se revelando um total fracasso. Alguém tentava os prender numa gaiola ou caixa, eles se tornavam raivosos e fugiam machucando, sempre para a mesma sala e mesma carteira.
Ignorando as assas de águia e pedras preciosas fundidas na pela da professora Mel, para não piorar ainda mais, ele mesmo pega uma caixa e põe os gatos para fora da escola. Sente uma coisa estranha ao por aqueles filhotes no chão e faz sem pensar. Os outros gatos de reúnem perto dele.
“Olha. Eu to parecendo maluco.” – Falando alto. “Seguinte, eu quero todo mundo aqui, até eu voltar, entenderam?” – Os gatos em conjunto responderam sim com os olhos.
Voltou à aula, o pessoal já tinha apelidado ele de “homem-gato” ou algo assim. Mas que estava esquisito estava, agora era mais essa, fora os bichos de fogo e raios, amigos fadas e coisas cada vez mais estranhas, gatos seguiam ele para todos os lados.
Nada podia ser pior.
Antes do fim do dia, apesar das piadas e comentários. O dia continuou esquisito. Aaron vendo insetos com efeitos especiais, os gatos não paravam de segui-lo e os amigos e pessoas estavam apresentando cada vez mais, um padrão esquisito de anormalidade, evitou pensar nisso a qualquer custo. Perto do fim da última aula, surge um diretor da escola com um aviso, que segundo seus instintos, ele não ia gostar. Ficou nervoso.
“Gostaria de dar alguns avisos, estou com um problema sério. Mas antes, senhor Aaron Heights, espero SINCERAMENTE que o senhor DEIXE SEUS BICHANOS EM CASA! É isso não é nada engraçado, para os idiotas de plantão.” – Ele se encolheu como pode na carteira. Querendo sumir.
“O mais importante. Eu e o xerife recebemos um pedido de busca de uma das nossas alunas. Se alguém sabe alguma coisa da aluna Robin Bacarnozi, e só ligar para esse número no cartaz ou procurar um funcionário da escola, que será encaminhado para as autoridades.”
O mundo ficou mais pesado, tudo começou a girar. Sua boca ficou seca, seus olhos ficaram cheios de lagrimas, seu coração disparou. Aaron não conseguiu mais ouvir o diretor, começou a guardar suas coisas na mala, distraidamente, procurando não chorar, mas sentindo aquele abismo frio e sombrio na alma. Uma parte do seu coração não queria aceitar, em algum momento isso ia acontecer, sua falta seria sentida, sua presença seria questionada.
A sensação de culpa e horror voltou como um tiro de bazuca. Destruidor e violentamente. Ao guardar tudo na mala, suas mãos estavam tremendo, seu inferno iria recomeçar, como o assassino que cobre seus rastros e tem o medo permanente que seu crime seja descoberto. Ele escondeu o corpo muito longe dali, jamais iriam encontrar.
Mas olhar para a mesa vazia a sua frente, foi insuportavelmente traumatizante. Quis se entregar para o diretor naquele momento, mostrar que era um monstro. Um assassino, não merecia a atenção de tanta gente legal, ele era uma ameaça para os amigos, para as pessoas. Merecia ser preso, jogado numa jaula como a um animal e quebrarem a chave.
Aaron sabia que iria viver um inferno em vida, mesmo assim pediu redenção. Olhou misericordiosamente para a mesa vazia e fez um pedido silencioso.
“Não suporto mais essa maldição. Eu queria tanto que você voltasse aqui na mesma hora, para ver a aula, do modo que estivesse, presente, viva e bem, para dizer que sinto muito, pedir perdão, Robin... Volte para escola, amanha, sem falta... Volte para mim. Ta tão difícil suportar isso.”
Mas os mortos não voltam a vida.
Aaron foi para a casa depois que o diretor liberou a todos. Que se dane se ele tinha orelhas de burro ou qualquer coisa. Foi embora ainda mais derrotado do que antes, queria chegar logo em casa. Os gatos seguiram ele. Nem se importou. Foi para sua cama sem jantar, completamente derrotado e com uma culpa que faria parar o mundo por uma hora.
Abriu o computador e simplesmente chorou sangue, ignorou a maldita fome e ficou admirando uma foto de Robin. Linda, sorridente, uma foto copiada de uma comunidade social. Seus belos olhos e sedoso cabelo, tudo isso destruído por um ato inumano, uma fome maldita.
Aaron se cansou disso. Resolveu para com essa tortura. Iria monotonamente viver sua vida e esperar que algo acontecesse, covardemente. Perdeu a chance de se entregar ao diretor. Algo mais forte o parou, morrendo de vergonha não abriu a boca.
“Se meu destino e viver uma imortalidade miserável pela culpa ou acontecer alguma coisa para que a justiça caia na minha cabeça, que assim seja. Dane-se, não agüento mais! Chega!” – Aaron foi dormir como estava.
Os gatos fizeram uma campana na porta da casa. Um carro ficou espionando a casa do vampiro, já tinha superado o seu azar de não conseguir matar ele disfarçado de carteiro. Agora com aqueles gatos todos, se errasse seu ataque, iria alertar oposição que não poderia dar conta, inimigos fortes e implacáveis, Sacramento tinha regras secretas, que nem ele seria imprudente em quebrar.
Iria esperar. Uma hora o vampiro iria mandar os gatos embora, a cada dia, se tornava mais alta a chance dele desenvolver ou aprender os truques, magias e habilidades da raça. Então iria se tornar mais difícil, pelo visto não iria precisar usar a encomenda dos seus contratantes.
A noite passou tranquilamente.
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